quinta-feira, 27 de setembro de 2012

LDU Loja 1 x 1 São Paulo: Contando com gol contra, São Paulo empata e leva decisão para o Morumbi

Osvaldo - São Paulo

Rubens Chiri - São Paulo

Em jogo de poucas chances e muita correria, o São Paulo empatou com a LDU de Loja com gols e leva a vantagem do empate em zero a zero para o jogo da volta, no Morumbi. O confronto em terras brasileiras ocorrerá no dia 24 de outubro.

Apesar das dificuldades, São Paulo abre placar com gol contra mas sofre o empate com golaço nos minutos finais

A notícia de que o time da Liga de Loja havia desfilado em carro aberto após a classificação para a terceira fase da Sulamericana após eliminar o tradicional Nacional-URU deu a tônica de como seria o clima na distante Loja, que fica a 400km de Quito - dentro e fora de campo.Sem se intimidar, Ney Franco escalou três atacantes (Lucas, Osvaldo e Ademilson), com Paulo Miranda na lateral direita e liberando bastante Cortez pelo lado oposto. Apesar da escalação ofensiva, o time paulista teve de segurar um ensaio de pressão dos donos da casa, que a fragilidade ofensiva não os deixou evoluir para chances claras de marcar.

As principais jogadas das duas equipes eram pelos flancos. Pelo lado equatoriano, a jovem revelação Uchuari puxava os contra-ataques com muita rapidez - a melhor característica da Liga de Loja. Do lado tricolor, Osvaldo era a melhor opção, pelo lado esquerdo de ataque. Aos 20, em sua primeira boa jogada, o atacante passou pela marcação e cruzou com perigo na pequena área da Liga de Loja.

Seguindo orientações de seu treinador, que repetia a jogada à beira do gramado, o São Paulo passou a insistir com Osvaldo e daí nasceu o primeiro gol da partida. Aos 37 minutos, em mais uma fácil passagem pelo marcador, o atacante cruzou e Bermúdez desviou para a bola passar entre as pernas do goleiro Alvarado, abrindo o placar.

O gol foi um acontecimento "estranho" ao jogo, que seguiu truncado e sem nenhuma jogada de efeito ou oportunidade clara. Mais alheio ainda foi o gol de empate, aos 44 minutos: Denilson cochilou na marcação e Larrea recebeu perto do bico da grande área; ele ajeitou e meteu na gaveta esquerda de Rogério Ceni, que fez menção de pular mas nem se deu ao trabalho: um a um.

Poucas chances criadas e muitos erros de passe sacramentam empate

Com 5 da segunda etapa, Uchuari quase chega de carrinho na pequena área após cruzamento da direita, assustando a zaga tricolor. O São Paulo teve a chance de responder com autoridade, aos 12, mas Paulo Miranda perdeu chance incrível ao desperdiçar cruzamento em que saiu livre na cara do goleiro Alvarado. O zagueiro cabeceou para o chão e a bola saiu por cima da meta.

Bem que Ney Franco tentou mudar o panorama do jogo - que depois da chance perdida se arrastava entre erros de passe e contra-ataques pessimamente puxados pelo time equatoriano - sacando Ademilson, mal no jogo, e Denilson, pior na partida e ainda com cartão amarelo, para lançar Douglas e Wellington, mas as substituições pouco fizeram efeito. O problema era na criação, e a solução pensada pelo treinador trouxe Lucas para o meio e tirou Jadson, dando lugar a Willian José. Ainda assim, seguidos erros na armação de jogadas e muita correria desnecessária.

O time da casa avançava esporaticamente, quando conseguia articular as jogadas de contra-ataque, sempre pela direita com Uchuaria, buscando o brasileiro Fábio Renato no comando de ataque - o jogador fez algumas boas jogadas de pivô.

Apenas com 40 minutos o São Paulo teve nova chance clara de marcar: falta em local excelente para o goleiro-artilheiro tricolor. Mas a bola parou na barreira e no contra-ataque Rafael Toloi salvou a pátria são-paulina, impedindo contra-ataque com carrinho arriscado já no campo de defesa. Num dos últimos lances do jogo, Willian José recebeu dentro da área após ligação direta de Ceni, mas demorou para finalizar e acabou desarmado, aos 46.



Dirigente do Santos nega medalha de campeão da Recopa a Ganso

O meia Paulo Henrique Ganso já foi apresentado como reforço do São Paulo, mas seu nome continua sendo assunto no Santos. Na noite desta última quarta-feira, o Peixe conquistou a Recopa Sul-Americana, ao vencer a Universidad de Chile, por 2 a 0, no Pacaembu (veja no vídeo ao lado).

Em tese, por ter participado da primeira partida da decisão, empatada sem gols no dia 22 de agosto, em Santiago, Ganso teria direito a uma medalha pela conquista. O próprio Neymar, decisivo para o título, lembrou do amigo e dedicou ao meia o troféu, mas o superintendente de futebol Felipe Faro não vê desta forma.

Ganso não é mais jogador do Santos, não tem por que receber medalha"

Felipe Faro, superintendente do Santos

Questionado se o meia ganharia uma medalha pelo título, o dirigente disse que isso sequer foi comentado no Santos. Depois, ao ser perguntado se o meia merecia o prêmio por ter atuado no primeiro jogo, Faro negou a honraria ao atleta.

– Acho que não, ele não jogou o último jogo. Tem de participar por completo e o último jogo é o que fica. Acho que não, quem merece são os jogadores que estão aqui até hoje e fazem parte do grupo, esses merecem a medalha – afirmou o dirigente.

– Nem nos preocupamos com isso. O Ganso não é mais jogador do Santos, não tem por que receber medalha. É um detalhe que passou batido para nós. Premiamos quem é jogador do Santos hoje – completou Faro.

No Peixe, o assunto Ganso tem sido evitado e tratado como “página virada”. Depois do fim das negociações com o rival São Paulo, o próprio lateral-esquerdo Léo, personagem na novela, minimizou a saída e citou que apenas Pelé é imprescindível ao clube. No muro do CT Rei Pelé, a imagem do jogador foi pichada por torcedores e apagada pelo clube, que promete repintar o local e monitorar com câmeras de segurança. 

Santos campeão da Recopa sul-americana (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)Jogadores comemoram com a medalha. Ganso? Não vai levar... (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)



Flu e Galo são os times com mais craques da rodada no Cartola FC

fred fluminense náutico (Foto: Agência Photocamera)Líder Flu, de Fred, é quem mais tem craques da
rodada: cinco, ao todo (Agência Photocamera)

Líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro, Fluminense e Atlético-MG, respectivamente, são os times que mais tiveram jogadores como o craque da rodada no Cartola FC. Até agora, o Tricolor carioca conseguiu o feito cinco vezes, enquanto o Galo, quatro. Um fato curioso é que no Flu dois atletas levaram o “título” em duas oportunidades: Fred (10ª e 26ª rodadas) e Diego Cavalieri (7ª e 24ª) – Carlinhos (3ª) fecha a conta do líder.

No Atlético, a coisa acontece de uma forma, pode-se dizer, mais democrática. Foram quatro jogadores que conseguiram ser o craque da rodada no Cartola, sem ninguém conseguir o fazer mais de uma vez: Giovanni (4ª), Bernard (11ª), Marcos Rocha (12ª) e Victor (23ª). O Botafogo começou bem a competição, conseguindo o feito três vezes em 5 rodadas, mas parou por aí, com Herrera (1ª), Lucas (2ª) e Andrezinho (5ª).

São Paulo (Osvaldo e Luis Fabiano), Ponte Preta (Roger e Cicinho) e Figueirense (Aloísio e Wilson) tiveram o craque no seu time em duas oportunidades cada. Flamengo e Santos também. A diferença destes dois últimos é que em ambas as vezes o feito foi conseguido pelo mesmo atleta: Vagner Love (15ª e 16ª), pelo Fla; e Neymar (17ª e 25ª), pelo Peixe.

Neymar é o recordista de pontos. Roger foi quem mais 'chegou perto' em 2012

Neste Campeonato Brasileiro, o jogador que mais conseguiu pontuar em uma rodada foi Roger, da Ponte Preta. O atacante da Macaca fez três gols na vitória sobre o Coritiba por 4 a 1, em Campinas, na nona rodada, marcando 30.40 pontos. Porém, ele passou longe do recorde do Fantasy Game.

No ano passado, Neymar conseguiu o feito de 37.2 pontos. Ele fez os quatro tentos do Peixe no 4 a 1 sobre o Atlético-PR, no Pacaembu, além de receber dez faltas durante a partida. Clique e confira a matéria com o recorde de Neymar.

Neymar, Santos x Velez (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Neymar é o 'cara' do Cartola FC. Será que alguém tira a coroa dele? (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Na ocasião, o jogador do Santos ultrapassou Jonas, que havia conseguido marcar 36.4 pelo Grêmio, em 2010. Atualmente no Valência, o atacante tricolor estava brilhando no Olímpico naquele ano. Ele fez três gols, uma assistência e acertou uma bola na trave no 4 a 0 sobre o Grêmio Prudente.

Confira abaixo os craques de cada rodada do Cartola FC do Brasileirão 2012

Rodada Jogador Time Pontuação
Herrera Botafogo 25.10
Lucas Botafogo 17.70
Carlinhos Fluminense 17.50
Giovanni Atlético-MG 14.50
Andrezinho Botafogo 15.70
Ivan Portuguesa 18.10
Diego Cavalieri Fluminense 20.50
Osvaldo São Paulo 17.40
Roger Ponte Preta 30.40
10ª Fred Fluminense 27.60
11ª Bernard Atlético-MG 18.20
12ª Marcos Rocha Atlético-MG 19.70
13ª Luis Fabiano São Paulo 28.40
14ª Patric Náutico 16.90
15ª Vagner Love Flamengo 17.30
16ª Vagner Love Flamengo 24.60
17ª Neymar Santos 19.30
18ª Marcelo Moreno Grêmio 25.90
19ª Aloísio Figueirense 24.10
20ª Cicinho Ponte Preta 20.60
21ª Forlán Internacional 18.80
22ª Wilson Figueirense 23.00
23ª Victor Atlético-MG 25.00
24ª Diego Cavalieri Fluminense 17.00
25ª Neymar Santos 19.10
26ª Fred Fluminense 18.70


Ney Franco festeja gol fora de casa, mas pede atenção no jogo de volta

Ney Franco, Fluminense x Atlético-MG (Foto: Ide Gomes / Agência Estado)Ney Franco elogiou a LDU de Loja, rival na Copa
Sul-Americana (Foto: Ide Gomes / Agência Estado)

O técnico Ney Franco não ficou surpreso com o empate por 1 a 1 com a LDU de Loja, na noite desta quarta-feira, no Equador, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. No entender do treinador, o time enfrentou muitas dificuldades desde a viagem até o palco da partida e encontrou um adversário que mostrou qualidade.

– A avaliação que faço do jogo é que foi difícil. Em jogos da Libertadores ou da Copa Sul-Americana, é sempre muito complicado (jogar) fora de casa. Hoje, a maioria das equipes do continente está jogando um futebol ofensivo. Pegamos uma boa equipe pela frente e agora vamos entrar forte no jogo de volta para garantir vaga na próxima fase – afirmou o treinador.

O comandante são-paulino reconheceu que o time tem uma vantagem por ter marcado gol na casa do adversário. Mas lembrou da vaga obtida pelos equatorianos na fase anterior para pedir atenção aos seus jogadores. A LDU perdeu em casa para o Nacional por 1 a 0 e depois conseguiu a classificação ao vencer no Uruguai por 2 a 1.

– Essa equipe já tem um histórico. Nada está definido. Claro que fazer um gol fora de casa é muito representativo, mas ainda tem a segunda partida pela frente e vamos ter de jogar muito para sair com a classificação. Sem dúvida, jogaremos melhor no Morumbi do que aqui – ressaltou.

Clique e assista a vídeos do São Paulo



Lucas vê empate 'de bom tamanho' e gol 'achado' da LDU de Loja

O São Paulo entrou em campo com três atacantes para enfrentar a LDU de Loja, na noite desta quarta-feira, no interior equatoriano, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Ainda assim, a equipe criou pouco e teve chances reduzidas de balançar as redes adversárias. O empate por 1 a 1, somado à chuva e ao cansaço pela longa viagem, foi o suficiente para agradar o atacante Lucas, que jogou ao lado de Ademilson e Osvaldo.

Apagado no primeiro tempo, Lucas melhorou no início da etapa complementar, mas nada que fosse o suficiente para embalar o Tricolor rumo à vitória fora de casa. O gol são-paulino, aliás, saiu após chute despretensioso de Osvaldo, que desviou no zagueiro Bermúdez e “matou” o goleiro Alvarado.

– Pelas circunstâncias do jogo, saiu de bom tamanho. Fizemos o gol fora. Foi complicado jogar fora de casa, com muita pressão. A equipe deles chega junto. Conseguimos um bom resultado. Agora é fazer nosso papel no Morumbi – afirmou o atacante.

Bem postada, a marcação da LDU dificultou as chegadas do Tricolor à área adversária durante todo o jogo. Foram apenas quatro chances reais de gol, em 11 finalizações. Enquanto os equatorianos apostavam no contra-ataque, o São Paulo tentava trocar passes calmamente: sem sucesso. Ainda assim, Lucas exaltou a postura de sua equipe e disse que os donos da casa “acharam” o gol.

– Jogamos para frente, para vencer. Começamos com três atacantes. Estávamos bem na partida, tocando bem a bola. Faltou finalizar mais. A equipe deles, em um belo chute, conseguiu achar um gol e complicou – analisou.

 Koob Hurtado e Lucas, LDu de Loja x São Paulo (Foto: Agência EFE)Lucas tenta escapar da marcação de Hurtado no jogo desta quarta, em Loja (Foto: Agência EFE)

Embora o São Paulo tenha saído na frente, o empate da LDU veio no fim do primeiro tempo. O volante e capitão Pedro Larrea acertou chute certeiro no ângulo esquerdo de Rogério Ceni. O goleiro apenas observou a bola entrar. Curiosamente, as melhores oportunidades do time de Loja foram em erros do capitão são-paulino: primeiro, ao rebater mal bola parada. Depois, ao cobrar falta e quase sofrer gol no rebote.

O duelo de volta será no dia 24 de outubro, no estádio do Morumbi. Empate sem gols classifica o Tricolor, por ter marcado fora de casa. Se o placar obtido em Loja se repetir, a decisão será nos pênaltis. Agora, a equipe volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro: no domingo, às 16h, enfrenta o Coritiba, no estádio Couto Pereira, buscando voltar ao G-4 da competição nacional.

Clique aqui e assista a vídeos do São Paulo



Veja os resultados desta quarta pela Sul-Americana, Série A e estaduais

27/09/2012 00h20 - Atualizado em 27/09/2012 00h29

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estudioso, Ney Franco poderia ter sido dentista em vez de treinador de futebol

Bruno Quaresma e Gabriel Saraceni - 26/09/2012 - 08:17 São Paulo (SP)

HOME Ney Franco - São Paulo (Foto: Tom Dib)
Ney Franco está há pouco mais de dois meses no São Paulo (Foto: Tom Dib)

Ney Franco poderia estar um consultório, cuidando dos dentes de seus pacientes. Mas uma decisão tomada em 1987 fez com que o rumo de sua vida mudasse totalmente e, nesta quarta-feira, ele está em Loja, no Equador, para comandar o São Paulo em busca do título inédito da Copa Sul-Americana. 

O treinador prestou vestibular para odontologia, mas não foi aprovado. No ano seguinte, em meio a testes para entrar em equipes juniores, descobriu que queria seguir pela área esportiva. Aprovado em educação física na Universidade Federal de Viçosa deu os primeiros passos para iniciar uma carreira com passagens vitoriosas por Ipatinga, Flamengo, Coritiba e Seleção Brasileira. 

Em uma entrevista de quase 45 minutos, o técnico contou ao LANCENET! um pouco de sua formação e curiosidades sobre seu jeito de ser e a vida particular. Qual era a matéria que tirava o sono de Ney Franco na faculdade? O que ele gosta de fazer durante os momentos de folga? O que ele gosta de assistir na televisão quando não revendo os jogos de seu time? A seguir, conheça um pouco mais do homem que está há pouco mais de dois meses dirigindo o Tricolor e tem a missão de levar o clube de volta para a Libertadores.

Em pouco mais de dois meses de São Paulo, já se adaptou ao clube e à cidade?

A adaptação está ótima. Estou totalmente interagido no clube. Em relação à cidade, estou morando sozinho, sem minha família, aqui no CT. Então não estou tendo nenhum problema em relação à transito, moradia, vida social na cidade. Eu estou respirando o CT, o Morumbi, aeroporto e viagens, mas totalmente adaptado à rotina aqui do clube do São Paulo. 

Você lê, assiste e escuta tudo que falam sobre você?

Leio quando estou ganhando. Leio tudo, escuto tudo, vejo tudo, mas quando estou na fase ruim não vejo nada e leio nada. Nessa hora, eu prefiro não ver nada, embora tenha algumas críticas construtivas, mas a maioria é em cima do resultado de momento. Então, eu prefiro direcionar minha mente para outras coisas.

Mas não acha que algumas críticas podem ajudá-lo?

Podem ajudar sim. Mas essas críticas construtivas, eu normalmente sei delas quando vou dar uma entrevista, depois de um jogo ou do treinamento. A gente sabe perceber direitinho. Na realidade, eu tenho um posicionamento muito claro sobre isso. Eu tenho um caminho de trabalhar, uma forma e aposto nisso. Logicamente a maioria do feedback de alguns erros, vem da comissão, dos números dos atletas e da própria conversa com eles. Logicamente que é cima disso que eu me pauto. Então, em alguns momentos é interessante você assistir ou ler algumas coisas de outras áreas.   Como você trabalha a sua imagem? Parece não ter muita vaidade e se preocupar com isso... Eu tenho a minha metodologia de trabalho, a minha forma de ser. Não adianta eu querer inventar outra forma de ser. A minha metodologia de trabalho é mais vitoriosa do que perdedora. Não tenho nenhum trabalho específico, nenhuma empresa que gerencia minha imagem. Eu tenho uma forma de conduta que ela não vai sair desse padrão, porque se sair não vai dar certo e eu estaria interpretando um personagem. A minha imagem é isso aí e não vai sair disso.

De onde você trouxe a  sua metodologia de trabalho?

Vem um pouquinho da prática. Eu trabalhei 13 anos de categoria de base. Dez anos como treinador, três como preparador físico. Nesses 10 anos, aliado ao que eu aprendi dentro da universidade com o curso de educação física, acho que se somar tudo isso, eu criei uma metodologia de trabalho que é mais vencedora do que perdedora, e isso me dá auto-confiança para desenvolver meus projetos. Logicamente, não foram só vitórias, tiveram algumas derrotas também e essas derrotas você tem de saber tirar proveito. Mas não adianta ficar mudando toda hora a forma de trabalho e eu acredito que vamos ter sucesso com ela aqui também aqui no São Paulo.   Qual o grande diferencial que trouxe da faculdade, em relação aos que não tiveram formação? Do embasamento teórico até a psicologia. Dentro da parte esportiva, na escola você tem três níveis de futebol. Você estuda todos os sistemas de jogo, a evolução do futebol mundial, isso vai te dando um embasamento teórico do futeobl. Depois você vai para a área de planejamento esportivo. Como é feita uma pré-temporada, como é o período de competição, como é o período de recuperação desses atletas. Tudo vira embasamento que você vai criando a sua metodologia de trabalho. Depois você vai para a parte prática e vai vendo o que vai dando certo, o que é teórico e o que te ajuda.

Além do futebol, na faculdade tinham diversas outras matérias. Quais que você não gostava?

Ginástica olímpica que era pesada (riso). Você tinha que fazer uma parte prática e eu me lembro que tinha de fazer argola e saltar sobre o cavalo era um tormento para a gente que não tinha prática nenhuma. Eu falo que sempre fui um aluno mediano porque tem algumas matérias como a natação e a ginástica, que passava no limite. No futebol eu era sempre A, mas tem algumas matérias que eu estava ali entre o C e o B, fazia o básico para passar.   Tentou ser jogador? Eu tentei. Como qualquer adolescente, sonhava em ser jogador de futebol. Na minha cidade (Juiz de Fora), no futebol amador, eu tinha um certo destaque como volante. Isso me deu um pouquinho de noção e visão de como é comportamento do jogador em campo. Cheguei a fazer testes. Estava fazendo testes nos juniores do Tupi com 19 para 20 anos, mas chegou um determinado momento, que eu tive de decidir se iria ser jogador ou estudar, optei por estudar. No time da faculdade, dei continuidade.

O que você mais gosta de fazer quando está de férias ou folga?

Eu gosto mais de ficar com os filhos e curtir. No final do ano, a gente está planejando de ficar em um resort. Meu hobby maior é música mesmo. Não sou de pescar, eu sou mais urbano, gosto de ficar na cidade. Mesmo morando no Rio, vou pouco à praia. Quando vou, é pelas crianças.   Tem uma noção de quantos jogos você assiste por semana? Vejo muitos do Campeonato Brasileiro. Série A e Série B. Quando não estou vendo ao vivo, tenho algo gravado e gosto muito de rever nosso jogo. Eu vejo completo e depois alguns lances específicos. Isso requer muito tempo.

Você, que viajou pelo mundo, acha que o Brasil está preparado para sediar a Copa do Mundo?

Acho que em relação a estádios, não teremos muito problemas. Agora em relação ao transportes, como chegar nos estádios, não sei. Uma coisa para mim é muito clara, nossos aeroportos estão muito aquém e estamos perdendo uma grande oportunidade. Se a Copa do Mundo serviria para mexer com isso, está passando batido.

Como foi a experiência de trabalhar na CBF, um local onde muitos dizem que há muita sujeira?

Foi uma experiência excelente. Minhha vida na CBF foi muito intensa, quando cheguei em dezembro de 2010 para preparar uma equipe para o Sul-Americano em janeiro, que era um pré-olímpico. Então já cheguei na CBF lá na Granja Comary, fazendo convocações, totalmente isolado da vida política. Eu nem entrava e nem fazia questão de entrar, porque meu objetivo maior era classificar o Brasil para as Olimpíadas e fui contratado para isso. Eu não vivi muito a parte política da CBF, não sabia o que estava acontecendo, estava envolvido com a parte prática. Quando acabou o Mundial, aí teve uma discussão do Pan-Americano, que foi o grande insucesso que passei no período da CBF. A CBF decidiu disputar um Pan-Americano com a sub-17. Com a sub-17, eu falei que não iria como treinador. Aí definiram levar uma sub-20, e a competição era sub-23. Foi o sub-20, mas eu não poderia convocar os jogadores que estavam atuando pelos times para não atrapalhar, tive de levar uma equipe de última hora, com jogadores que não conhecíamos muito bem e foi um fiasco. Mas acho que foi uma passagem muito positiva em relação a títulos. Acho que foi uma Seleção sub-20 que realmente deu retorno para a principal, acho que deixamos a nossa marca.

Ufologia, Marte e arqueologia agradam

Ney Franco não gosta de respirar futebol 24 horas por dia. Em meio à rotina, o treinador tem seus momentos de descanso e procura dois tipos de programação alternativas na televisão.

A primeira opção é a música, com canais que exibem shows. Mas ele também gosta de se entreter com outro tipo de programa:

– Eu gosto muito da área musical, de ver algum show. Assim como na área do futebol você tem muitos canais, você também tem muitos shows à disposição na televisão fechada. Eu gosto muito do Discovery (canal em TV fechada). Assistir algumas coisas de antiguidade, alguma matéria de arqueologia, documentários e coisas futuristas. Uma espaçonave, alguma coisa que está chegando no Planeta Marte, coisas futuras e  em relação à ufologia. A gente viaja um pouquinho nisso aí também.   Questionado se acreditava na teoria do povo maia, que dizia que o mundo acabaria em 2012, o comandante brincou com a situação.

– Nessa, eu não acredito muito não. Embora estamos em setembro ainda e até dezembro tudo pode acontecer, né? (risos) Mas eu gosto muito desse tipo de assunto, principalmente dos documentários – declarou o estudioso treinador.