sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Conmebol ratifica título do São Paulo e cogita punições por confusão

Diante das especulações de que o título do São Paulo não estaria garantido em razão das incertezas a respeito da confusão ocorrida no intervalo da decisão contra o Tigre-ARG, a Conmebol emitiu nota oficial na noite desta quinta-feira para ratificar o clube brasileiro como campeão da Copa Sul-americana.

Segundo a entidade, o árbitro Enrique Osses tentou, "em reiteradas oportunidades", convencer a equipe argentina a retornar ao gramado para o segundo tempo. Após 50 minutos (15 minutos regulamentares mais 30 de espera), ele aplicou o regulamento, determinando o jogo concluído com o resultado de 2 a 0 a favor do time brasileiro, "o que significou a consagração do São Paulo FC como campeão".

O texto lembra que os finalistas faziam uma partida normal dentro do aspecto esportivo. A confusão começou após o primeiro tempo, com troca de empurrões entre os adversários. Já no intervalo, os argentinos alegaram terem sido agredidos por seguranças do São Paulo, os quais, por meio da diretoria do clube, rebateram dizendo que apenas impediram invasão do vestiário mandante.

Como a briga só foi contida mais tarde pelos policiais, não há uma versão definitiva sobre o fato. O caso será investigado, já que representantes dos dois clubes envolvidos na confusão prestaram depoimento e fizeram exame de corpo de delito na madrugada de quinta-feira.

À espera de uma versão esclarecedora, a Conmebol não descarta punições. Na nota divulgada nesta quinta-feira, a entidade diz que "está empenhada em reunir todas as informações das autoridades do jogo e dos clubes, (...) com o propósito de constituir com claridade a realidade dos acontecimentos, a fim de aplicar as sanções".

Os dois clubes estão classificados para a próxima edição da Libertadores. Retirar a vaga na principal competição continental, que é também organizada pela Conmebol, é uma das punições especuladas desde a partida no Morumbi.



Fifa lembra primeiro título mundial do São Paulo, de 20 anos atrás

O São Paulo comemora nesta quinta-feira, 13 de dezembro, não apenas o título da Copa Sul-americana, conquistado na noite anterior, mas também aniversário de seu primeiro Mundial. Há exatos 20 anos, o clube derrotou o Barcelona por 2 a 1, no Japão. Quem comandou a virada foi Raí, autor dos dois gols do time tricolor.

O feito foi lembrado pela Fifa. Em seu site oficial, publicou texto sobre o dia em que "Raí ajudou o São Paulo a dominar o mundo". Naquela época, não havia um torneio interclubes organizado pela entidade. O melhor time do mundo era conhecido em duelo único entre o campeão da Libertadores e o vencedor da Champions League.

A conquista seria apenas a primeira. No ano seguinte, depois de vencer de novo o principal torneio sul-americano, o São Paulo voltou ao Japão para ser campeão mundial, desta vez diante do Milan. O terceiro título seria em 2005, já sob a chancela da Fifa, com vitórias sobre Al-Ittihad, na semifinal, e Liverpool, na decisão.

Mas o troféu de 1992 é especial, justamente por ter sido o primeiro. Em nota no seu site, nesta quinta-feira, o clube diz que, a partir dali, "o mundo passou a conhecer o São Paulo Futebol Clube, seu escudo, seu manto, suas cores: o raiar de uma nova era".

Para levantá-lo, o time comandado por Telê Santana precisou superar susto: logo aos 12 minutos, o Barcelona abriu o placar, com um golaço de Stoichkov, de fora da área. O empate saiu aos 27, com gol de barriga de Raí, que voltaria a marcar de falta, no segundo tempo, para decretar a virada.

O ídolo tricolor, a propósito, acaba de lançar livro sobre esse título. Em parceria com o jornalista André Plihal, Raí conta em "1992 - O mundo em três cores" os bastidores e os momentos de superação daquela equipe.



Imprensa argentina condena São Paulo por destruir sonho do Tigre

"O sonho do Tigre virou pesadelo". A afirmação, estampada na página de esportes do jornal argentino Clarín, deu a tônica do posicionamento da imprensa argentina a respeito da desistência dos jogadores do Tigre em entrar em campo para o segundo tempo do confronto desta quarta-feira, contra o São Paulo, pelo segundo jogo das finais da Copa Sul-americana. Na capa do Olé, o trocadilho "Te revolver el estomago" também ilustra a polêmica decisão do árbitro Enrique Osses em encerrar a partida.

Assim como o Clarín, os tradicionais Olé e Canchallena, do grupo La Nación, cobriram o desembarque da delegação do Tigre no Aeroparque, em Buenos Aires. Sem se pronunciarem à imprensa brasileira no Morumbi, os jogadores da equipe argentina mantiveram o discurso nesta quarta-feira: quando chegaram ao vestiário após a saída do intervalo, os atletas teriam sido surpreendidos por seguranças armados do São Paulo, que partiram para a agressão.

"Foi uma coisa impensável. Nos encontramos com 10 ou 15 grandalhões quando entramos no vestiário. Sem falar nada, eles se puseram em guarda e começaram a nos bater. Nós nos defendemos como pudemos, foi uma loucura. Se apontam uma arma para você é difícil continuar jogando. Saímos porque podia acontecer alguma coisa pior", se pronunciou o goleiro Javier Garcia em declaração reproduzida pelo Olé, que viu "dor, angústia, tristeza e impotência" entre os jogadores do Tigre.

Apesar de manifestar apoio ao ponto de vista dos jogadores do Tigre, o Olé publicou uma nota dizendo que, dentro de campo, o São Paulo "monopolizou a bola". Segundo a versão do clube brasileiro, os jogadores do Tigre tentaram invadir o vestiário dos donos da casa, mas foram impedidos pelos seguranças, que apenas ‘fizeram seu trabalho’. Nervosos, os atletas do Tigre teriam feito um quebra-quebra na área dos visitantes. Os dois clubes registraram boletim de ocorrência após a partida.

Para o Canchallena, a postura dos funcionários do São Paulo foi uma "vergonha" e a Conmebol simplesmente "deu" o título da Copa Sul-americana aos brasileiros, já que não teria havido abandono, mas impossibilidade de entrar em campo para o segundo tempo. "O resultado foi o que menos importou em uma noite em que todos perderam, inclusive o campeão", estampa o diário do grupo La Nación.

A declaração do capitão são-paulino Rogério Ceni também repercutiu mal na imprensa argentina. "O Tigre era tecnicamente muito inferior e por isso criou a confusão para não voltar à partida. Isto vai contra a dignidade, contra o que representa o esporte. Se a partida estivesse 0 a 0 eles voltariam, mas como estava 2 a 0 e eles podendo tomar o terceiro ou o quarto, desistiram. É lamentável", refletiu o goleiro, que viu o Olé relatar suas declarações, sim, como lamentáveis.



Reforço são paulino, Aloísio faz exames médicos na capital paulista

Reforço do São Paulo a partir da próxima temporada, Aloísio passou por exames médicos na capital paulista. O atacante de 24 anos, contratado ao se destacar com a camisa do Figueirense, realizou a avaliação na quarta-feira, dia em que o clube se sagrou campeão da Copa Sul-americana ao bater o Tigre, da Argentina.

Além dele, também estiveram no HCor o meia-atacante Negueba, de 20 anos, que chega do Flamengo por compensação na negociação envolvendo a ida de Cleber Santana para a equipe carioca, e o lateral esquerdo Thiago Carleto, de 23 anos, que estava emprestado ao Fluminense.

Na quarta-feira, após a conquista do torneio continental, o vice-presidente do clube, João Paulo de Jesus Lopes, disse que não se pronunciaria a respeito de saídas e chegadas de jogadores, embora a diretoria tivesse prometido externar o assunto assim que terminasse a competição.

Até o momento, Aloísio, Negueba e Thiago Carleto são as únicas novidades para a próxima temporada, que se inicia em 3 de janeiro, com a reapresentação do elenco. Ainda não há data de apresentação dos dois primeiros - como volta de empréstimo, o lateral esquerdo não deverá ter uma.

O número de reforços ainda vai aumentar. Pelo menos mais dois jogadores devem ser confirmados até o fim do ano. Lucca, meia-atacante de 22 anos, é o principal alvo do São Paulo, que tem na negociação com o Criciúma a ajuda do DIS, grupo de investidores responsável por gerenciar a carreira do atleta e que recentemente levou Paulo Henrique Ganso ao Morumbi.

Por outro lado, há duas saídas confirmadas. O meia-atacante Lucas, negociado com o Paris Saint-Germain desde o meio da temporada, e o atacante Willian José, já apresentado no Grêmio.



Tumulto contra Tigre faz Ney Franco clamar por defesa a brasileiros

A repercussão internacional da desistência do Tigre em voltar para o segundo tempo da partida final da Copa Sul-americana, nesta quarta-feira, fez com que o técnico Ney Franco iniciasse um apelo por segurança às delegações brasileiras em competições continentais. Ignorando a reclamação dos argentinos, o treinador do São Paulo fez questão de relembrar casos em que jogadores de times do País foram acuados longe de casa.

Na Argentina, em ocasião do primeiro jogo da final, o São Paulo não pôde fazer aquecimento no gramado da Bombonera. Já em São Paulo, os jogadores do Tigre forçaram a entrada no Morumbi para poderem fazer reconhecimento e atividades físicas no campo de jogo. A confusão criou mal estar com os seguranças do Tricolor, que teriam trocado agressões com os atletas no vestiário, após o intervalo da partida."Desde quando me entendo como profissional do futebol não pode fazer aquecimento no gramado do Morumbi, sempre foi atrás do gramado. A Conmebol tem que tomar alguma atitude, de repente esse fato é o primeiro passo", justificou Ney Franco, atacando o futebol argentino, uruguaio e paraguaio: "Se o brasileiro jogar futebol, a qualidade impera. Por isso temos que trabalhar o emocional. Eles foram desleais e nós não temos que dar de malandro, temos que jogar futebol".

A Copa Sul-americana de 2012 é a segunda competição continental vencida por Ney Franco, que já havia faturado o Sul-americano Sub-20 pela Seleção Brasileira. Acostumado, o treinador relembra as adversidades encontradas: "Time brasileiro sempre sai escoltado. Para bater escanteio tem que ter um policial protegendo para não tomar porrada. Qualquer competição assim é difícil, porque os campos são arranhados e apanha-se muito, você chega e sai sem proteção".

Emerson Leão vira exemplo para são-paulino - Substituto de Leão no comando do São Paulo, Ney Franco relembrou de uma confusão ocorrida com o ex-goleiro em 1997, quando o Atlético-MG foi à Argentina disputar uma partida contra o Lanús, pela final da Copa Conmebol, e o então treinador do Galo foi agredido por torcedores argentinos, tendo sido obrigado a fazer uma cirurgia no rosto.

"O Emerson Leão foi espancado em um jogo pela torcida, em 1997, quando estava no Atlético-MG. Então essa violência não é novidade. O Atlético foi massacrado em um estádio pequeno e não teve providência nenhuma. Tomara que desta vez sirva de mudança. Nós brasileiros temos que jogar futebol", relembrou o são-paulino.



Lucas guarda braçadeira de Ceni e lamenta nunca mais jogar com ídolo

O capitão do São Paulo é Rogério Ceni, mas o goleiro abdicou da braçadeira após a conquista da Copa Sul-americana diante do Tigre-ARG. Ele a colocou no braço de Lucas para que o meia-atacante tivesse o privilégio de levantar a taça de campeão em sua despedida do clube, no Morumbi.

"Foi um momento único na minha vida. Dificilmente vou ser capitão, então vou guardar (a faixa). É meu ídolo e estará para sempre no meu coração. Não me canso de elogiá-lo. Ele merece, é um exemplo de atleta e pessoa", disse o jogador, autor de um gol e da assistência ao tento de Osvaldo na vitória por 2 a 0.

Prestes a completar 40 anos, Ceni é o líder do elenco são-paulino e responsável por tentar incentivar o grupo antes das partidas. Na quarta-feira, segundo os jogadores, ele se emocionou no discurso e disse que tinha certeza de que seriam campeões.

"Não tem como não escutá-lo, segui-lo. Estou indo embora e provavelmente não vou jogar com ele de novo", lamentou Lucas, que, negociado com o Paris Saint-Germain por 43 milhões de euros, viaja em 27 de dezembro para participar de intertemporada de sua nova equipe, no Catar.

Eleito o melhor jogador do torneio continental, ele se despede com 33 gols em 128 jogos. Logo após a conquista da Sul-americana, ele subiu ao palco da premiação, tomou o microfone para agradecer ao apoio da torcida tricolor e prometeu um dia voltar ao clube.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Após falar em ameaça com arma de fogo, Tigre não cita fato em depoimento

Rafael Bullara - 13/12/2012 - 20:49 São Paulo (SP)

São Paulo x Tigre - Copa Sul-Americana - Polícia (Foto: Tom Dib)
Confusão foi no corredor que liga os vestiários, após o túnel de acesso ao campo, no Morumbi (Foto: Tom Dib)

Os jogadores do Tigre afirmaram que foram ameaçados com arma de fogo durante a confusão no vestiário do visitante durante o intervalo da partida na final da Copa Sul-Americana. Mas, em depoimento na madrugada desta quinta-feira no Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), não houve a citação por parte dos argentinos quanto a ameaça desta maneira, segundo informação da assessoria de imprensa do Decradi.

Comissão técnica, dirigentes e atletas ficaram revoltados na noite de quarta-feira e não decidiram voltar para o segundo tempo. Após longo tempo no vestiário do Morumbi, eles deixaram o estádio por da 1h30 e seguiram para o depoimento. O elenco já voltou para a Argentina e mesmo assim o caso terá prosseguimento.

No desembarque da delegação na Argentina, na tarde desta quinta-feira, comissão técnica e elenco do Tigre voltaram a falar sobre as ameaças com arma de fogo por parte dos seguranças do São Paulo.