quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dono do apito já está no estádio e confere situação do gramado

O trio de arbitragem uruguaio, formado por Roberto Silveira, Carlos Pastorino e Gabriel Popovits, já inspeciona o gramado e as redes do estádio Independência, que será o local do confronto entre Atlético-MG e São Paulo. A escolha do trio de arbitragem gerou polêmica, já que o Tricolor era favorável a que árbitros brasileiros apitassem a partida. O Galo, por sua vez, solicitou a escolha de um trio estrangeiro e foi atendido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Árbitro, Atlético-MG, São Paulo, Independência (Foto: Léo Simonini / Globoesporte.com)Arbitragem confere gramado do Independência (Foto: Léo Simonini / Globoesporte.com)


Estádio Independência deve receber cerca de 20 mil torcedores

O estádio Independência ainda está vazio. Mas esse cenário vai mudar muito em pouco tempo, já que cerca de 20 mil torcedores deverão marcar presença na partida entre Atlético-MG e São Paulo, válida pelas oitavas de final da Taça Libertadores. O Galo, que venceu o primeiro jogo, no Morumbi, por 2 a 1, poderá até perder por 1 a 0, que, mesmo assim, estará classificado para as quartas de final. O Tricolor precisa vencer por dois gols de diferença ou por um, desde que por um placar de 3 a 2 para cima. Novo 2 a 1, mas para o São Paulo, a decisão será nos pênaltis.

estádio Independência jogo (Foto: Leonardo Simonini)Estádio Independência vai estar lotado (Foto: Leonardo Simonini / Globoesporte.com)



As sete pedras no caminho do São Paulo até as quartas da Libertadores

"Não é milagre". É dessa forma que Ney Franco defende a classificação do São Paulo, nesta quarta-feira, contra o Atlético-MG. Pode não ser milagre, mas a equipe tem uma série de obstáculos para avançar às quartas de final da Libertadores - são pelo menos sete. Veja a lista abaixo:

Ney Franco jogadores treino São Paulo (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)Ney Franco conversa com jogadores em treino no Independência (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Vencer fora de casa, por exemplo, tem sido missão impossível para o Tricolor na competição. Para agravar o cenário, o Galo está invicto, absoluto no estádio onde manda suas partidas. O São Paulo precisa de gols, e também esbarra nas limitações físicas e na má fase técnica de seus atacantes. Todos os números são contrários. Para completar, há o trauma da eliminação para o arquirrival Corinthians no Campeonato Paulista, após um empate em que o time de Ney Franco foi melhor, e pênaltis perdidos por dois de seus grandes astros, Ganso e Luis Fabiano, além da defesa anulada de Rogério Ceni, que se adiantou muito na cobrança de Pato.

Confira os principais obstáculos a serem suplantados pelo Tricolor:

Cristaldo comemora, Strongest x São Paulo (Foto: Reuters)Cristaldo comemora gol do Strongest em uma das
derrotas do São Paulo fora de casa (Foto: Reuters)

1) Rendimento ruim fora de casa

O retrospecto do São Paulo longe do Morumbi na Libertadores é pífio. Como visitante, a equipe enfrentou Bolívar, Atlético-MG, Arsenal e The Strongest. Perdeu todos os jogos. Até mesmo aquele que parecia impossível ser derrotado. Na primeira fase da competição, o clube foi a La Paz com uma folgada vantagem de 5 a 0, obtida no Morumbi. Tranquilo, abriu 3 a 0 no primeiro tempo, e conseguiu sofrer a virada, que deixou o goleiro Rogério Ceni e o técnico Ney Franco muito irritados, embora a vaga na fase de grupos nem tenha sido ameaçada.

Na etapa seguinte, Paulo Henrique Ganso, ainda reserva, quase empatou no fim da partida no Independência, mas o time foi derrotado por 2 a 1 pelo Atlético-MG. Placar que se repetiria em Sarandí, diante do Arsenal, e novamente em La Paz, contra o Strongest. Nesses dois jogos fora do país, o Tricolor esteve próximo da vitória, mas foi castigado por chances perdidas.

Na Argentina, a partida estava empatada quando Aloísio não conseguiu finalizar quando até o goleiro do Arsenal já havia ficado para trás. No lance seguinte, o adversário fez o segundo gol. Situação idêntica à ocorrida na Bolívia, quando Ganso, livre na área, chutou por cima minutos antes dos donos da casa marcarem o gol da vitória.

2) Galo forte e vingador no Independência

A dificuldade de o São Paulo vencer fora do Morumbi na Libertadores deve se agravar nesta quarta-feira. Só um triunfo pode dar esperança à equipe de se classificar, mas o Atlético-MG não perde no estádio Independência desde sua reinauguração, em maio do ano passado. Já são 32 jogos de invencibilidade.

O aproveitamento do time de Cuca é espantoso: 85,4% dos pontos conquistados. Foram 25 vitórias e sete empates. A presença da torcida é um dos principais fatores para o ótimo desempenho. Nesta noite, todos os lugares do estádio deverão estar ocupados pelos atleticanos. Na Libertadores, além de terem vencido o São Paulo por 2 a 1 na primeira rodada, bateram o Strongest, pelo mesmo placar, e o Arsenal por 5 a 2.

Se há um jogo para servir de inspiração é a partida pelo Campeonato Brasileiro de 2004. O Independência, antes de sua reforma, recebeu Galo e Tricolor, e os paulistas venceram por 5 a 0 (veja no vídeo ao lado). Show de Grafite, que marcou três vezes, e Danilo, autor de dois gols. Curiosamente, Rogério Ceni era o goleiro e Diego Tardelli, hoje no Atlético, entrou no segundo tempo com a camisa são-paulina. A partida também foi marcada por um festival de chinelos atirados pelos atleticanos no lateral-direito Cicinho, que havia trocado um clube por outro no início do ano.

3) Desvantagem e trauma da expulsão

Pelas razões listadas acima, o duelo do Morumbi era considerado fundamental pelo São Paulo, e os primeiros minutos indicavam que o estádio poderia levar a equipe às quartas de final. Jadson marcou no início e o domínio era amplo até a expulsão de Lúcio, na reta final da etapa inicial. O cartão vermelho do experiente zagueiro mudou totalmente o cenário.

O Atlético cresceu, o Tricolor perdeu força ofensiva com a saída de Ademilson, que havia substituído o lesionado Aloísio, e a virada foi inevitável. O placar poderia ter sido ainda maior, mas os mineiros perderam boas chances. Com isso, além de precisar vencer por dois gols de diferença, ou então por vantagem mínima se marcar pelo menos três vezes, o São Paulo entrará em campo abalado por uma partida em que tudo parecia bem encaminhado, mas terminou de maneira traumática.

4) Luis Fabiano e as decisões

O atacante volta a entrar em campo na Libertadores depois de quatro jogos de ausência por conta da expulsão contra o Arsenal, quando reclamou bastante do árbitro Wilmar Roldán, e levou o cartão vermelho após o apito final. Todos consideraram a punição da Conmebol exagerada, mas é fato que a pressão sobre o artilheiro aumentou demais.

A diretoria avalia que a presença de Fabuloso em campo teria garantido alguns pontos nos jogos contra Arsenal e Strongest, fora de casa. Em ambos o São Paulo foi derrotado. Sem falar no primeiro duelo das oitavas frente ao Atlético-MG.

Para piorar a situação do camisa 9, ele perdeu um pênalti na semifinal do Campeonato Paulista diante do Corinthians, e voltou a ser contestado pela torcida por suas falhas e ausências em momentos decisivos. O centroavante é a maior esperança da diretoria para decidir a classificação no Independência. Ele tem 12 gols no ano até agora.

Luis Fabiano derrota Corinthians São Paulo Paulista (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Luis Fabiano desolado após perder pênalti contra o Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

5) O quadril de Osvaldo

Considerado melhor jogador do São Paulo no ano ao lado de Jadson, o atacante, convocado duas vezes para a seleção brasileira, não tem presença confirmada na partida. Tudo em razão de uma lesão no quadril, sofrida ainda no primeiro tempo do clássico diante do Corinthians. Osvaldo saiu do Morumbi diretamente para o hospital, não foi constatado nada de mais grave, mas ele ainda sentia dificuldade nos movimentos.

Na terça-feira, Osvaldo não participou do treino do São Paulo no estádio Independência. Passou o dia fazendo fisioterapia, e deve repetir o procedimento até o momento do jogo. Se o atacante não puder jogar, Douglas será seu substituto. Um prejuízo grande.

Osvaldo não faz gols desde o fim de fevereiro, marcou apenas cinco neste ano, mas participa de praticamente todos os lances decisivos do Tricolor.

6) Eliminação no Paulistão

O São Paulo entra em campo abalado pela derrota nos pênaltis na semifinal do Campeonato Paulista. O time carrega um estigma de desempenho ruim em mata-matas nos últimos anos. No estadual, por exemplo, foi a sétima eliminação seguida em semifinais.

Além de ter visto o arquirrival comemorar dentro do Morumbi, o resultado tornou a Libertadores a única oportunidade de conquista no primeiro semestre.

7) Algozes brasileiros

Desde 2006, sempre que participou da Libertadores, o São Paulo foi eliminado por uma equipe brasileira. Naquele ano, perdeu a final para o Internacional, e a chance de conquistar o segundo título consecutivo. Em 2007, o carrasco foi o outro gaúcho, o Grêmio, nas oitavas, treinado por Mano Menezes, em seu primeiro trabalho de destaque na carreira.

No ano seguinte, no último minuto, um gol de Washington, do Fluminense, tirou o São Paulo da Libertadores nas quartas de final. Na mesma fase, o time caiu em 2009, derrotado pelo Cruzeiro. O confronto encerrou a passagem de três anos e meio do técnico Muricy Ramalho pelo Morumbi. Era ele o comandante nas eliminações anteriores.

Em 2010, já com Ricardo Gomes, o Tricolor foi à semifinal, mas caiu novamente diante do Internacional graças ao gol marcado pela equipe colorada no Morumbi, já que no placar agregado houve empate de 2 a 2. Agora, de volta à competição três anos depois, o Atlético-MG é o candidato a algoz do ano. Mais um na galeria.



Após polêmica com rivais, São Paulo abre mão de disputar a Taça BH

Adalberto Batista Craque do Brasileirão 2012 (Foto: Fernando Martins / Globoesporte.com)Adalberto Baptista diz que São Paulo não vai
participar da Taça BH (Foto: Fernando Martins)

Considerada uma das competições mais tradicionais do futebol de base do país, a Taça BH não terá a participação do São Paulo na edição deste ano. A decisão do Tricolor de não disputar o torneio em 2013 ocorre após alguns clubes tradicionais do Brasil ameaçarem boicotar qualquer campeonato das divisões inferiores em que o time do Morumbi confirmasse participação. O grupo, que conta com o apoio Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Atlético-MG, Ponte Preta, Coritiba, Goiás e Cruzeiro, reclama do assédio supostamente feito pelo São Paulo aos seus principais talentos.

Segundo Adalberto Baptista, diretor de futebol do São Paulo, a decisão do clube não tem nada a ver com tal ameaça de boicote.

– Não tem nada a ver, tanto que da Copa 2 de julho vamos participar. Se fosse por conta de boicote não iríamos para nenhuma. Fomos convidados, gostaríamos de participar, mas infelizmente não será possível – declarou, em contato com o GLOBOESPORTE.COM.

A justificativa oficial é que o Tricolor não possui elenco para disputar três competições ao mesmo tempo: a Taça BH, que será disputada na segunda quinzena de julho, a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista sub-20.

– Não vamos participar porque o calendário ficou apertado. Temos o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil e não estamos com um elenco tão grande assim para entrarmos em campo nas três competições – completou.



Ídolo, Luizinho diz que torcida não deixará Galo se acomodar em campo

Atlético-MG, torcida, Independência (Foto: Bruno Cantini / Site Oficial do Atlético-MG)Para Luizinho, torcida não deixa Galo se acomodar (Foto: Bruno Cantini / Site Oficial do Atlético-MG)

Para muitos torcedores do Atlético-MG, o zagueiro Luizinho foi um dos maiores que vestiu a camisa preta e branca do Galo. Com a mesma elegância que desfilava dentro das quatro linhas, o ex-zagueiro opina sobre a partida do seu time do coração e o São Paul, que vale vaga nas quartas de final da Taça Libertadores – o SporTV transmite a partir das 21h30 (de Brasília). Luizinho diz que o Atlético-MG não pode entrar em campo pensando na vantagem obtidad fora de casa, quando venceu por 2 a 1. Para ele, o time comandado por Cuca tem que manter a mesma pegada demonstrada nas outras partidas quando joga em casa.

- Penso que o Atlético-MG não vai mudar, joga para cima no Independência e mesmo com o resultado, não vai mudar porque a empolgação da torcida é muito grande, leva o time para frente, não tem como ser diferente, estarei lá empurrando o time para cima do São Paulo, é um caldeirão, é La Bombonera (em alusão ao mítico estádio do Boca Juniors), coisa de ficar arrepiado a todo momento – explicou o ídolo Luizinho.

Darío Pereyra, multi-campeão vestindo a camisa do Tricolor, reconhece que a missão da equipe paulista nesta noite não é fácil justamente por conta da derrota no Morumbi, na última quinta-feira.

- O problema é que uma vitória simples não basta. Se não, dava para ficar especulando, fazer um gol, equilibrar as coisas, se defender. Hoje não, tem que fazer 2 a 0, partir para o tudo ou nada. Tem que fazer um gol por tempo. Só que aí o problema é o Atlético-MG. O Independência hoje é como se fosse a Bombonera que é um caldeirão. Então acho que é muito difícil. E analisando os jogadores, hoje a zaga do Atlético-MG é de seleção brasileira. E tem o Ronaldinho, Jô, Tardelli, Bernard, dois volantes marcadores, baixos, mas carrapatos – falou Darío Pereyra, no “Arena”.

Luizinho diz que o Galo tem que aproveitar os minutos iniciais do jogo, com a pressão da torcida, para acuar o São Paulo e abrir o marcador antes que as coisas se compliquem em campo.

- A grande diferença é a torcida, que é fanática, empurra o time. Pode ter certeza que o Independência vai virar um caldeirão. Apesar de os jogadores do São Paulo já estarem acostumados com grandes jogos, grandes estádios, mas fica aquela coisa de ficar 20 minutos sem saber o que fazer em campo por causa da pressão da torcida. E acho que o Atlético-MG tem que tirar proveito disso, fazer um gol logo. Porque se não fizer o jogo vai ficar difícil – finalizou Luizinho.



Chico Pinheiro exalta Galo e provoca São Paulo: 'Caiu no horto, tá morto'

O apresentador do Bom Dia Brasil e torcedor do Atlético-MG, Chico Pinheiro, participou do Redação SporTV nesta quarta-feira em que Atlético-MG e São Paulo defendem vaga nas quartas de final da Libertadores no estádio do Independência, em Minas Gerais. Chico defendeu com muita raça a campanha do seu time de coração, e reclamou que sempre colocam defeito no adversário para tirar o mérito da vitória do Galo. De acordo com ele,  cariocas e paulistas tem dificuldade de reconhecer a qualidade da equipe de Minas Gerais. O SporTV exibe a partida com pré-jogo a partir das 21h30.

O negócio é o seguinte, com todo respeito, os cariocas e paulistas custam a reconhecer. É uma implicância!"

Chico Pinheiro

- Para reconhecer você tem que matar 10 mil leões, porque uma campanha como essa do Galo na Libertadores some quando o Lúcio é expulso?! É a campanha do Emelec, a campanha do Flumiense. Ninguém lembra da campanha do Galo! A campanha do Galo ninguém quer mostrar. Tem um negócio estranho. Não reclamo não. Mas como implicam com a gente. O negócio é o seguinte, com todo respeito, os cariocas e paulistas custam a reconhecer. É uma implicância! - defendeu Chico Pinheiro em tom de brincadeira.

Pelas redes sociais, torcedores apoiaram Chico e até criaram uma hastag #vaichico. O internauta Erivaldo Costa quis saber do jornalista, se como um amante do futebol, iria dar um "bolo" no Bom Dia Brasil de quinta-feira para ir até Belo Horizonte assistir a partida. Como Chico não pode mesmo deixar sua função, ir até Belo Horizonte seria complicado. Mas ele garantiu que vai assistir ao jogo mesmo tendo que acordar às 4h da manhã. Após o programa, a equipe do site do Redação gravou com o jornalista uma defesa exclusiva da campanha do Galo na Libertadores. (Veja o vídeo nos bastidores).

- Eu não vou faltar ao Bom Dia Brasil, eu acordo um pouco depois das 4h da manhã, mas vou ficar ligado até meia noite para ver ao jogo do Galo. E claro, coragem! Hoje é quarta-feira ver a vitória e a nossa passagem para a próxima etapa das quartas de final! -  exaltou.

Pelas redes sociais, alguns torcedores perguntaram se ele ficaria muito triste com uma derrota do Atlético-MG.

- Essa hipótese pra mim não existe! - respondeu ele confiante, e completou sua defesa.

- Quero dizer o seguinte, quando a gente ganha, quando o Galo ganha e tem uma campanha vitoriosa na Libertadores, não perdeu nenhum jogo. Perdeu um jogo para o São Paulo, mas aquilo não foi jogo, foi treino. Então jogo mesmo a gente não perdeu nenhum. As pessoas dizem: 'ah, o São Paulo perdeu o jogo por que o Lúcio foi expulso', 'perdeu porque jogou no Independência'. Não vem com essa não! Caiu no horto, tá morto! Está fora, está morto também! Não tem erro, olhem a campanha do Galo e reconheçam, reconheçam o tamanho dessa equipe e as qualidades dela. Colocar deficiência nas outras equipes para tirar o mérito da nossa vitória, não vem, que não tem! É Galo na cabeça! É Galo na veia!

Campanha do Atlético-MG na Libertadores: 5 vitória, 1 derrota em 6 jogos disputados.

Ronaldinho Gaúcho Diego Tardelli gol Atlético-MG jogo São Paulo (Foto: AFP)Ronaldinho Gaúcho Diego Tardelli comemoram gol do Atlético-MG no jogo contra o São Paulo (Foto: AFP)



Cuca e São Paulo: fatos e lendas da montagem do time campeão mundial

Cuca pelo São Paulo (2004) (Foto: Diário de São Paulo)Cuca comanda treino durante passagem pelo São
Paulo, no início de 2004 (Foto: Diário de São Paulo)

A passagem do técnico Cuca pelo São Paulo, em 2004, até hoje rende polêmicas e a afirmação de que ele foi o responsável por montar a equipe que, no ano seguinte, conquistaria o Campeonato Paulista, a Libertadores e o Mundial. Uma história repleta de personagens, mas não tão bem contada.

O desempenho de Cuca frente ao Goiás no Campeonato Brasileiro de 2003 chamou a atenção do São Paulo. Novato, o treinador tirou a equipe da zona de rebaixamento e fez uma das melhores campanhas do segundo turno. O Tricolor, que passou toda aquela competição com os interinos Milton Cruz e Roberto Rojas, ficou seduzido pela ideia de um comandante com novas ideias e baixo salário. Junto com Cuca, mudaram-se do Serra Dourada para o Morumbi o zagueiro Fabão, o meia Danilo e o atacante Grafite.

São essas contratações que geram as principais divergências sobre a passagem de Cuca. Após os títulos de 2005, o técnico alimentou a ideia de que ele havia sido o artífice do time vencedor. A diretoria rechaça a versão. Alega que a grande maioria dos reforços já havia acertado sua ida para o São Paulo antes mesmo do treinador.

- Fizemos tudo antecipadamente com o dinheiro da venda do Kleber (hoje atacante do Grêmio) para a Ucrânia. Recebemos R$ 2,2 milhões, se não me engano, e montamos o elenco - lembra João Paulo de Jesus Lopes, hoje vice-presidente de futebol, e na época diretor de planejamento.

O meia Danilo, por exemplo, era um dos alvos de Milton Cruz desde 2003. Chegou até mesmo a ser examinado por Marco Aurélio Cunha, ainda no Goiás, quando tinha uma pubalgia. Grafite também se encaixava no perfil de atletas traçado pela diretoria para a temporada de 2004. Mas numa versão mais “conivente” com o técnico, Fabão teria sido procurado a pedido seu.

Na época, sua contratação quase causou um prejuízo grande ao Tricolor. O uruguaio Lugano cogitou sair do clube, mas foi convencido pelo presidente Marcelo Portugal Gouvêa e por Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol naquele ano, a permanecer. Além do trio do Goiás, foram contratados o lateral-direito Cicinho, o zagueiro Rodrigo, os meias Marquinhos e Vélber, e o atacante Jean. No ano seguinte a diretoria contratou o volante Josué, outro atleta de Cuca que só depois teve seu vínculo encerrado com o Goiás.

Montagem Danilo Grafite Fabão São Paulo (Foto: Editoria de Arte)Danilo, Grafite e Fabão fizeram mesmo caminho de Cuca: do Goiás para o São Paulo (Foto: Editoria de Arte)

3-5-2: herança ou 'sorte' de Cuca?

Outro mérito atribuído ao ex-técnico é a montagem do famoso sistema tático de três zagueiros, que ficou famoso no São Paulo na década passada, e norteou as conquistas da Libertadores, do Mundial, e de pelo menos dois Brasileiros. Porém, Cuca, assim como seus sucessores, iniciou seu trabalho no 4-4-2. Fabão e Rodrigo eram os titulares, e Lugano só entrou durante a Libertadores. O São Paulo chegou até à semifinal, mas foi eliminado pelo Once Caldas com um gol nos últimos minutos. Emerson Leão, Paulo Autuori e Muricy Ramalho também armaram o time sem os três zagueiros, mas recuaram.

Antes de Cuca, sob o comando de Milton Cruz e Rojas, o São Paulo já atuava com três zagueiros. Responsável tático pela equipe que voltou à Libertadores depois de dez anos, Milton chegou a improvisar Gustavo Nery na posição.

Mas contestações à participação de Cuca na montagem da equipe à parte, seu trabalho tático é alvo de muitos elogios de quem esteve naquele trabalho. Dirigentes consideram que a estrutura criada no 3-5-2 era tão sólida que permitiu a Emerson Leão, hoje considerado por eles um técnico ruim, conquistar o título paulista.

A relação de Cuca com os dirigentes do São Paulo permaneceu boa, embora tenha havido um alívio na cúpula com seu pedido de demissão. Por muito tempo, Juvenal Juvêncio recorreu a ele para pedir indicação de reforços. Milton Cruz é outro que conversa frequentemente com o treinador do Atlético-MG. Mas todos se preocupavam com sua relação com os jogadores. Líderes daquele grupo, Rogério Ceni e Lugano, por exemplo, não se davam bem com o técnico.

Em entrevista recente, Cuca admitiu ter cometido um erro ao tomar partido do então preparador físico Omar Feitosa, que hoje ocupa o cargo de gerente de futebol no Palmeiras, numa discussão com o goleiro são-paulino. Essa acabou se tornando a faísca mais forte de sua passagem pelo Morumbi.